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GRAMOFONE

às voltas com os discos às voltas.

GRAMOFONE

às voltas com os discos às voltas.

[ENTREVISTA] O mergulho inaugural na Virgin Pool.

Após as experiências musicais em grupo a bordo de Silent Diane, Christine Aprile decidiu fazer-se ao estúdio e ao palco sozinha. Virgin Pool é a entidade que engendrou para asilar esta sua aventura a solo, onde aproveitou para recuar até aos seus inícios mais orgânicos e acústicos, fazendo uma espécie de dieta da electrónica, ainda que esta continue a pairar sobre as suas novas criações. 

O EP "Endless Evenings" mostra as primeiras águas que Virgin Pool nos proporciona, para uma forma de deleite notavelmente refrescante. Foi sobre esta obra que nos debruçámos durante um breve diálogo cibernético com Christine. 

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GRAMOFONE: O que te levou a encetar um projecto a solo?

Virgin Pool: Senti que o meu projecto Silent Diane tinha entrado num bloqueio criativo, e decidi concentrar os meus esforços em música que não tivesse uma componente electrónica tão forte. Há algo de muito libertador em tocar um instrumento acústico após ter estado tão amarrada às electrónicas.


GRAMOFONE
: Disseste recentemente que sempre foste fã da tranquilidade oferecida pela bedroom music. Foi nesse ambiente que compuseste este EP?


Virgin Pool
: Sim, de facto este EP foi escrito e gravado num leque de quartos e estúdios caseiros, entre o Texas e a Califórnia. Muitas destas canções foram compostas em momentos muito calmos.


GRAMOFONE
: Relativamente ao processo criativo e à etapa em estúdio, quais foram as diferenças entre esta experiência a solo e as anteriores, colectivamente, com Silent Diane?


Virgin Pool
: Acho que a maior diferença é compor de forma parcialmente acústica, ao invés de o fazer de forma totalmente electrónica. Quando fundei os Silent Diane não fazia a mínima ideia sobre como gravar um disco ou produzir a minha própria música. Mas esse projecto, bem como o meu parceiro de banda na altura, ensinou-me bastante acerca de produção. O meu primeiro single foi feito em estúdio, mas desde aí que tenho trabalhado somente no meu estúdio caseiro, com outras pessoas ou sozinha. Ainda continuo a trabalhar em música nova para Silent Diane, com o Jose Cota (dos SSleeperhold e BOAN), que tem auxiliado na programação rítmica.


GRAMOFONE
: Embora a música, tal como outras modalidades, esteja massivamente globalizada, achámos curioso que “Endless Evenings” soe bastante britânico para alguém instalado em Los Angeles. Concordas?


Virgin Pool
: A maior parte das canções no EP foram escritas enquanto vivia em Austin, Texas, que não apresenta grandes diferenças meteorológicas para com a Califórnia. Eu aprecio a neblina, zonas rurais tranquilas, mas não posso dizer que gosto de sentir frio. Quando escrevi e gravei “Endless Evenings” estava num período especialmente sombrio e de transição da minha vida, enquanto mudava de cidade, e lidava com o fim de uma relação duradoura, sentindo-me algo perdida.


GRAMOFONE
: Percorrendo as tuas influências e gostos, as canções do EP parecem realmente situar-se algures entre Linda Perhacs e Moses Sumney. Foi algo intencional quando começaste a compor enquanto Virgin Pool, ou foi onde a tua criatividade te levou?


Virgin Pool
: Linda Perhacs foi definitivamente uma influência, mas apenas ouvi o trabalho de Moses Sumney depois do EP estar quase pronto. Toquei guitarra clássica quando era mais nova e a progressão natural para mim foi introduzir elementos electrónicos em qualquer música que escrevesse. Curiosamente, foram os sintetizadores arpegiadores que me levaram a revisitar a guitarra.


GRAMOFONE
: Realizaste os dois vídeos publicados para o EP. A parte visual é certamente algo que tem um papel importante no universo Virgin Pool, correcto?


Virgin Pool
: Sim! Estudei cinema e fotografia na universidade, e sempre fui artista visual. Tenho uma imaginação muito intensa e estou sempre a tentar criar uma experiência que englobe todos os meus trabalhos. Também trabalho como leitora de tarot e vidente, como tal as minhas visões e amor pelo simbolismo têm um grande peso nos meus projectos musicais.


GRAMOFONE
: Actuaste recentemente no SXSW, como foi essa experiência? Foi o maior evento enquanto Virgin Pool até ao momento?


Virgin Pool
: Tendo em conta que vivi vários anos em Austin, tocar no SXSW é como regressar a casa. Foi definitivamente o maior evento onde actuei com este projecto, e é sempre maravilhoso estar rodeada de tantos músicos apaixonantes e de pessoas da indústria musical.