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GRAMOFONE

às voltas com os discos às voltas.

GRAMOFONE

às voltas com os discos às voltas.

[ENTREVISTA] O arrepiar caminho dos Bomfim.

Tecendo uma comparação com o panorama musical português, diríamos que os brasileiros Bomfim são uma espécie de Linda Martini em ascenção no seu país. Incorporando membros de outras bandas, o trio catarinense editou há poucas semanas o seu primeiro registo em estúdio em formato EP.

 

«Vazio» é o nome do disco, mas transborda emoções ao longo dos seus quatro temas, onde as letras íntimas e simples se unem à força e candura do shoegaze e do dream pop

 

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Trocámos algumas palavras com Marcelo Silva (ex-vocalista dos Ursulla), que se ocupa da voz e guitarras, e Guilherme Garbin (ex-Superbrava) responsável pela bateria. 

 

GRAMOFONE: Porque optaram por um EP como debute discográfico?

 

Marcelo: Por N fatores: por ser mais barato e menos trabalhoso para produzir, e queríamos sentir também como as nossas músicas soavam no estúdio.

 

Garbin: Além dos motivos citados pelo Marcelo, a banda já existia há um tempo e queríamos lançar algo para poder ter o que mostrar para as pessoas. E a ideia de um EP vem também pelo tempo que teríamos para gravar, editar e mixar tudo. Também vimos essas quatro canções como uma parte de um todo, pareceram-nos encaixar umas nas outras, e fazem sentido juntá-las num só lançamento.

 

GRAMOFONE: Como sentiram esta primeira experiência em estúdio enquanto Bomfim?

 

Marcelo: A nossa experiência foi muito positiva. O Marlon (dos Adorável Clichê), que nos produziu, ajudou bastante e ficámos muito felizes com o resultado. Conseguimos entender melhor o som que fazemos.

 

Garbin: Gravar este EP com o Marlon e com o Rafael Vieira (Estúdio Martial Records) foi uma experiência muito boa, os dois nos ajudaram muito em todo o processo de gravação. E estar em estúdio é um misto de nervosismo para fazer tudo bem feito, com o tempo que temos, e de satisfação quando se percebe que as músicas estão tomando forma.

 

GRAMOFONE: Podem descrever um pouco de como funciona o processo criativo da banda?

 

Marcelo: Eu e a Gabriela (baixista) escrevemos as letras, às vezes individualmente, às vezes em conjunto (no EP são duas músicas minhas e duas dela), depois vamos os três montando a música em conjunto.

 

GRAMOFONE: Vocês equilibram de forma muito atrativa o shoegaze com a veia mais pop. É uma fórmula criada conscientemente ou sai naturalmente quando compõem juntos?

 

Marcelo: Acredito que o nosso som seja uma soma daquilo que gostamos de ouvir e essa sonoridade acaba surgindo naturalmente.

 

Garbin: Não existe fórmula para a criação das músicas. Por mais que cada um ouça e tenha influências diferentes, as letras que ouvimos falam sobre coisas parecidas, o que acaba deixando as coisas mais fáceis na hora de criarmos juntos.

 

GRAMOFONE: As vossas letras enquadram-se de forma perfeita nas canções, tornando-as mais poderosas, denotando uma extrema atenção a essa parte das músicas. O que as inspira?

 

Marcelo: As minhas composições são muito autobiográficas, coloco muito do que estou sentindo no momento naquela letra. Então quando escrevo procuro transformar esse sentimento em letra.

 

GRAMOFONE: Já existem planos para o álbum, ou por agora vão desfrutar e dar voz ao EP?

 

Marcelo: No momento queremos divulgar bastante o EP e viajar bastante com a banda. Já temos algumas músicas prontas e que provavelmente estarão num próximo registo, mas ainda não estamos pensando nisso.

 

Garbin: Como o Marcelo disse, o foco é tocar o máximo que conseguirmos com esse EP, mas está nos planos continuar gravando as músicas que forem sendo criadas no caminho. Mas, por agora, vamos focar em levar esse EP ao máximo de pessoas que conseguirmos.