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GRAMOFONE

às voltas com os discos às voltas.

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[ENTREVISTA] No divã com Radical Face.

Radical Face é a faceta musical de Ben Cooper que, na semana transacta, editou um EP novinho em folha. Após a trilogia «Family Tree», foi precisamente quando a sua vida familiar ruiu, quase forçando o cantautor a uma mudança radical no seu quotidiano que o levou de uma costa dos EUA à outra. Com muitas feridas e nódoas negras internas para tratar, Ben Cooper não hesitou em buscar auxílio psicológico de forma a sarar tudo o que o afectava, refugiando-se simultaneamente na música como um rico complemento nesse processo de recuperação.

Esta experiência foi agora condensada no EP «Therapy», que ao longo de meia-dúzia de composições retratam os sentimentos que desaguaram da amargura deste período conturbado, mas igualmente a esperança de que o sol voltará a brilhar no horizonte, mais cedo ou mais tarde. Falámos à distância com a cara por detrás de Radical Face. 

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GRAMOFONE: A primeira impressão transmitida pelo EP “Therapy” é bastante forte, devido à capa, reforçada posteriormente pelos vídeos. Porquê a escolha desta imagem?

 

Radical Face: Quando estava a trabalhar nestas canções sentia-me bastante abatido. Após mudar de cidade seis vezes em três anos, e abandonar quase tudo aquilo que pensava que ia acontecer na minha vida, estava num nível de cansaço que nunca sentira anteriormente. Então decidi usar essa sensação em todos os visuais do disco, retratando-os como danos físicos em vez de mentais.

 

GRAMOFONE: Parece existir uma relação bastante literal entre “Therapy” chegar após a trilogia “Family Tree” (o anterior trabalho): a terapia após o deteriorar das relações familiares.

 

Radical Face: De certa forma, sim. Lidar com o rescaldo dos meus problemas familiares foi aquilo que me levou a procurar a terapia. Portanto estão definitivamente relacionados nessa perspectiva. Acho que grande parte deste EP serviu para fazer as pazes com tudo o que tinha acontecido.

 

GRAMOFONE: De que forma a tua nova localização (Los Angeles), bem como as sessões de terapia, deram azo a mudanças na forma de escrever as novas canções?

Radical Face: De várias formas! Foi uma agradável mudança de ritmo. Gosto de estar num lugar em que ninguém me conhece, e é o primeiro local onde vivo no qual não me sinto estranho. Ainda que seja mais movimentado do que o sítio donde vim (Jacksonville, Florida), tenho muito mais espaço pessoal e mental, por isso acaba por tudo parecer mais calmo.


GRAMOFONE: Para este EP disseste que escreveste primeiro a música e só depois as letras, o que valeu como um método novo para ti. Como achaste essa experiência quando comparada com o teu processo normal?

 

Radical Face: Senti que foi troca por troca. Diverti-me mais com a produção, porque não estava a associar cada som e cada acorde a um propósito específico. Estava simplesmente a optar por coisas que achei que soava bem. Mas acabou por tornar o período de escrita das letras mais moroso, e mais deliberado. Portanto, no fundo, apenas troquei uma liberdade pela outra.


GRAMOFONE: Como gostavas que as pessoas se sentissem durante e/ou após a audição deste EP? É suposto funcionar como uma sessão de terapia?


Radical Face:
Sou péssimo a imaginar como algo que eu escreva possa relacionar-se com os demais. Às vezes tento imaginar como é que as pessoas realmente recebem aquilo que crio. Mas, se tenho alguma espécie de esperança na música, é que faça sentir alguma coisa, ou que faça alguém pensar em algo que de outra forma não o teria feito. Isso é mais importante para mim do que as pessoas gostarem da minha música.

 

GRAMOFONE: Achas que haverá um álbum futuro baseado em “Better Days” (última canção do EP), mesmo que tarde um pouco?

 

Radical Face: Não tenho a certeza. O tempo o dirá!