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GRAMOFONE

às voltas com os discos às voltas.

GRAMOFONE

às voltas com os discos às voltas.

[ENTREVISTA] Meta: a voz escutada à lupa.

Meta é Mariana Bragada, e «Mónada» é o seu primeiro registo discográfico, colocado em movimento no passado fim-de-semana. Foi finalista do Festival da Canção 2019, em nome próprio, mas já fabrica as canções há mais tempo, tendo sempre as suas cordas vocais como elemento preponderante das mesmas. No caso do EP «Mónada», é integralmente concebido pela voz de Meta, amplificada pela sua inseparável loopstation. 

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GRAMOFONE: Em primeiro lugar, qual a sensação de teres finalmente o EP disponível para que o mundo o escute?

META: Para mim é uma nova sensação, de muito entusiasmo e libertação. Estive a trabalhar neste EP quase 2 anos, então é bom finalmente poder partilhar este trabalho no seu potencial inteiro e deixá-lo livre para as pessoas sentirem.

GRAMOFONE: Mencionaste que a obra de Gottfried Leibniz influenciou o teu trabalho. Podes explicar de que forma isso aconteceu?

META: Surgiu-me por acaso ler sobre o principio filosófico da Monadologia do Leibniz, e achei o conceito muito interessante, porque estava a trabalhar apenas com a voz para este EP, que é para mim a minha essência, e Mónada é também a essência de tudo. Mónada está em cada ser individual e assim está presente também no coletivo. Algo que nós temos que é indestrutível e intocável, o nosso centro, e ao mesmo tempo é o que nos une a todos. Achei que esta ligação entre nós próprios e o coletivo fazia todo o sentido em relação a este EP, criado apenas com a minha essência e multiplicado pela tecnologia, neste caso a loopstation.

GRAMOFONE: Tendo em conta não ser muito usual construir um disco apenas com voz, podes descrever o teu habitual processo de composição?

META: Bem, o meu processo não surge de uma única forma. Inspiro-me muito em palavras, momentos e obras visuais. Podem surgir melodias, posso ter uma letra já escrita que gostava de transformar numa música também mas muita matéria surge do improviso. De me permitir criar no momento e depois consolidar e reorganizar esses momentos.

GRAMOFONE: Foste responsável pela imagética do álbum. Como chegaste à decisão de usar a foto para a capa?

META: Sim, decidi continuar esta expressão musical para a visual, e fiz todo o design do disco. Eu gosto muito de fotografia analógica, e ando sempre com uma máquina e rolo comigo, então fazia todo sentido integrar essa parte de mim também. Na foto de capa, a ideia do lençol surge de me remeter para a ideia de casa, de ver os lençóis estendidos na aldeia, e no entanto o graffiti (e símbolo da mónada no mesmo), transpõe para a a cidade como um manifesto, uma bandeira pela essência. São duas amigas minhas a segurar o lençol no prédio onde viviam, e onde passávamos grande parte do tempo a criar ou a falar sobre criações, então quis que essa casa estivesse presente também por marcar este tempo de criação.

GRAMOFONE: Referes-te por vezes ao disco como uma viagem. Por onde te transporta o mesmo quando o interpretas ou ouves?

META: Para mim a música tem sempre essa qualidade de transcendência, de viagem que falo. Para mim ajuda-me a chegar a sítios diferentes e a perceber melhor o mundo que me rodeia. Cada música tem o seu cantinho específico no etéreo e no coração, e às vezes só precisamos de ouvi-las para chegar a certos sítios emocionais que precisávamos, para nos libertarmos, para nos divertirmos, para estarmos connosco. A mim transporta-me a um sítio mais perto da minha essência, um espaço onde não há tempo nem regras.

GRAMOFONE: Desde as inspirações até aos vídeos, o EP tem uma natureza bastante familiar, com parentes e amigos a alimentarem todo o processo. Foi algo pensado ou que foi acontecendo naturalmente?

META: Como falei na questão da imagem do disco, as inspirações surgem de vários lugares, uns mais familiares e outros através de inspirações que os meus amigos traziam e criavam. Como estive absorvida neste meio artístico e visualmente forte também, achei que fazia todo o sentido incluí-los também. Incluir quem faz parte das minhas raízes e incluir alguns dos amigos que estiveram neste processo também, representando este apoio. Achei necessária essa inclusão como um agradecimento para com eles.

GRAMOFONE: Quais os próximos passos que esperas dar com o teu projecto?

META: Os próximos passos serão agora partilhar ao vivo este EP em concertos, criar mais vídeos, e criar novas músicas para o próximo disco!