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GRAMOFONE

às voltas com os discos às voltas.

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às voltas com os discos às voltas.

Julien Baker, a menina das canções tristes

De guitarra ou viola nas mãos, do alto dos seus 20 anos, Julien Baker vai ziguezagueando pelas suas amarguras ao longo das 10 canções tristes que constituem Sprained Ankle.

«Wish I could write songs about anything other than death», a linha de abertura do tema-título especifica qual o dínamo que move a inspiração desta songwriter original de Murfreesboro, Tennessee. Outro exemplo disso foi quando estreou ao vivo, na NPR, uma canção ainda sem título, a qual confessou chamar temporariamente de "Sad Song #11". 
Apesar da natureza crua das suas letras e da nudez instrumental das suas composições (pouco mais escutamos no disco além da guitarra e voz da autora), Julien demonstra um à vontade espantoso, ao qual não será alheio o par de bandas que integrou antes desta aventura em nome próprio. Mesmo em registo de entrevista, patenteia um discurso fluido e relaxado que a sua juventude normalmente não incorporaria, quiçá com uma ajuda preciosa dos seus estudos em Literatura. 

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Julien Baker traz à memória auditiva outras bandas lideradas também no feminino, como Torres ou Mothers, que também usam abusadamente a sua escrita de canções para aliviarem o peso das suas tormentas. Outros referem também Sharon Van Etten e Bon Iver como coordenadas ao retratarem o som desta menina, muito por culpa da aura negra que paira sobre as músicas.

Julien demonstra também uma sensibilidade notável, não passando em claro o facto de guardar para fecho do disco um tema ao piano, que acaba por ser o único em que não recorre à guitarra.
É uma dezena de temas forte, sentida, uma verdadeira catarse que Julien Baker não teme executar aos nossos ouvidos.