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GRAMOFONE

às voltas com os discos às voltas.

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às voltas com os discos às voltas.

[ENTREVISTA] O jardim das delícias de Sequin

Há escassas semanas tivemos novidades de Sequin, o alter-ego musical de Ana Miró, por meio de um EP contendo um punhado de canções. 
Eden, de seu nome, é um registo musical extremamente pessoal, onde Sequin colhe frutos plantados numa época anterior a Penelope (o seu disco de estreia datado de 2014), ao mesmo tempo que semeia novos sabores.
 
Tivemos o prazer de trocar algumas ideias com a figura por trás deste projecto.
 
Gramofone - O objectivo do EP é recuar aos primórdios, passar pela actualidade para ganhar embalagem para os trabalhos futuros?
 
Sequin - Acho que a ideia foi um bocado essa, sim. O voltar atrás, para aprender, para revisitar outros lugares e músicas que foram ficando pelo caminho, mas que continuavam a merecer ficar registadas. Certamente que depois de ter trabalhado neste EP me surgiram muitas ideias novas, e já começo a estruturar o próximo trabalho.
 
Gramofone - Sei que o EP contém faixas concebidas antes do teu disco debutante. Foram reestruturadas ou mantiveste-as propositadamente intactas? 
 
Sequin - Não houve nenhum tipo de reestruturação. Foram utilizadas tal como surgiram aquando da composição. Não foi propositado, acho que acabou por fazer sentido deixá-las assim, mas foi mero acaso.

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Gramofone - Nem toda a gente olha para trás de ânimo leve. Como foi remexer em canções e retratar temáticas do teu passado?

 
Sequin - Como sempre, eu uso a minha música como expiação e neste EP isso foi levado ao extremo. Toda a temática é essa, voltar atrás no tempo e revisitar capítulos da minha existência para poder chegar a uma certa paz interior, ou até para fazer quase como que um registo, para que as esses capítulos não caiam no esquecimento.
 
Gramofone - Como surgiu a ideia da jóia que acompanha o EP? É uma forma de tentar conviver com os trejeitos do mercado actual, dominado pelos formatos digitais?
 
Sequin - Quando foi altura de pensar na edição do EP, para mim não fazia muito sentido fazer um formato físico clássico (CD ou vinil). Queria que este EP fosse algo diferente e especial, então pensei que seria interessante aliar a música a um objecto, que a materializasse , e que fosse algo que as pessoas poderiam utilizar no dia a dia.
Quando me cruzei com o trabalho do Francisco Perdigão (Medula) essa ideia fez todo o sentido, falámos e ele alinhou no projecto. Pela minha experiência ainda há muita gente que prefere o formato físico ao digital, esta edição física das 100 jóias é uma maneira de contrariar as duas tendências.
 
Gramofone - O que podemos esperar dos concertos de apresentação deste trabalho?
 
Sequin - Algumas surpresas, um palco mais recheado do que o normal, e claro temas antigos para avivar a memória. 

Visões mais mundanas de Damien Jurado

Março vai trazer-nos Visions of Us On the Land, o décimo terceiro trabalho de Damien Jurado, que colocará ponto final na trilogia iniciada pelo autor em 2012.

A primeira parte do disco, espraiando-se até à décima primeira faixa, pega na cauda do antecessor Brothers and Sisters of the Eternal Son, numa toada de folk imbuído em psicadelismo. 
No segundo tema, Mellow Blue Polka Dot, há inclusivamente um interlúdio onde se escuta ao fundo o refrão de Silver Timothy, faixa pertencente ao pretérito disco.

Neste tomo a banda de suporte aparenta ter um papel mais criativo e notório. Banda essa que o fará igualmente parte da tournée, ao invés da anterior, ao longo da qual o songwriter esteve sozinho em palco.

 

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E é, simbolicamente, em Exit 353, o primeiro single, que o disco sai em direcção a noroeste, à folk mais tranquila, mais à imagem dos trabalhos de Damien Jurado que antecedem esta última triologia de discos.

A.M. AM., que parece ter sido composta no salão onde Neil Young dançou Harvest Moon até ao nascer do sol, é a única faixa desta segunda fracção em que a banda parece participar inteiramente.
As canções seguintes são simples, melódicas e curtas, onde destacamos Kola. Nem por isso menos atraentes.

Mais que um prolongamento do último disco, este Visions of Us On the Land acaba por trazer Damien Jurado às raízes, sacudindo progressivamente o psicadelismo ao longo do disco, e terminando deste forma a trilogia começada em Maraqopa.

A correspondência entre Sam Beam e Jesca Hoop

Sam Beam, o nome por detrás de Iron & Wine, decidiu unir esforços com Jesca Hoop, songwriter em nome próprio, para a criação de álbum de canções.
Jesca, que se move em terrenos de folk mais experimental, tinha inclusivamente já contribuido para trabalhos da banda de Sam Beam, entre outros aparições ao lado de Shearwater, Willy Mason ou Elbow (tendo inclusivamente vivido em Manchester há uns anos).

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O disco chegará a meio de Abril, mas o vídeo de estreia já pulula pela internet.